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23/11/10

Já neva em Flensburg

Olha Olha, o primeiro nevão em Flensburg. é caso para recitar este belo poema que todos nós conhecemos:


A NEVE (a)
 
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...
 
É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
 
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.
 
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!
 
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
 
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de uns pezitos de criança...
 
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
- depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
 
Que quem já é pecador
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!
 
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
– e cai no meu coração.
 
 
Augusto Gil - Luar de Janeiro, 1909

Hej Stockolm Hej då Stockolm (Olá Estocolmo Adeus Estocolmo)

Vida de Erasmus é isto, correr o mais que se poder de um lado para o outro, tentar conhecer o máximo de pessoas e sítios possível. E foi o que aconteceu em mais um fim de semana como vão ver de seguida :)

1ºDia
Tendo em conta tal dica, este fim de semana, fomos descobrir a capital da Suécia e da Escandinávia, Estocolmo.
Com a ajuda da nossa amiga Ryanair lá partimos nós mais uma vez bem cedo, abastecidos com umas belas toneladas de ração de combate (bela da sandes com pão de forma), já que constava que o custo de vida desta cidade não é o mais convidativo à carteira de um normal cidadão português.



O frio que seria de esperar foi logo confirmado à saída do avião. Que gelo...Que "barbeiro"!!
Como já é normal na Ryanair,vamos parar sempre a aeroportos um tanto ou quanto remotos das cidades, mas como já era tudo de esperar, tínhamos ónibus à espera.
Chegados à capital das ilhas (suspensa em 14 no total),e após o habitual check in no hostel,lá fomos nós (quais vikings?) à conquista da capital da Escandinávia.
Começámos pelo ponto que na minha opinião, é um dos mais bonitos,Gamla Stan,uma ilha em jeito de colina, onde está localizada a parte mais velha da cidade.
Para a primeira noite fomos a um belo de um pub irlandês,onde uma banda folk típica Irlandesa estava a tocar. Muito bom ambiente, acolhedor e quente, como típico do norte da Europa, já que na rua não se pode estar.
Apesar de as pernas e a cabeça nos quererem enviar bem cedinho para a cama, eu e o Rúben (o amigo Turco e a amiga Geórgia não resistiram), fomos para a primeira das longas caminhadas que realizamos pela cidade (+-50km no total!!).
Apesar da forte neve que caía tivemos o troco merecido, ou seja, vistas muito boas sobre esta cidade, rodeada de água.

2ºDia
Como já é normal, apesar do cansaço, qualquer viajante que se preze levanta-se bem cedo e numa cidade como Estocolmo em que o Sol se põe nesta altura as 3-4h da tarde, a luz do dia tem de ser o mais aproveitada possível.
Para começar demos uma visita ao mercado de Natal da cidade, na zona antiga (tal como na Alemanha em muitos dos países desta zona da Europa, os mercados de natal são um dos símbolos desta época do ano),onde provamos algumas das iguarias tradicionais da Suécia que nos deixaram de água na boca.

De seguida como qualquer bom turista :), lá fomos ao típico render da guarda, para um qualquer regime monárquico, onde os guardas tinham a caraterística de darem um passo bastante cómico.



Com a tarde a chegar fomos a mais umas ilhas, Skepps-Holmen (mais museus relativos a arte, arquitetura e história da Suécia) e Djurgården, onde visitamos o Vasa Museum.
Para quem pensa que o país do Ikea é dos melhores a trabalhar a madeira e que engenharia, organização e perfeição é com eles, este museu é a prova de que nem tudo isto é verdade.
Precisava o Rei da Suécia em 16.. de mostrar o seu poder à Prússia, e mandou fazer um imponente barco de guerra com este objetivo. Para infeliz sorte do povo e rei Sueco, este barco não andou mais de 20 minutos aqui nos fiordes de Estocolmo, tendo ido ao fundo (Qual Titanic?), devido a uns "pequenos" erros de cálculos.Só 400 anos depois em 196.. o barco foi recuperado e colocado neste museu, onde se pode ter uma imagem da grandiosidade e da obra prima que era o tal Vasa.

Barcos ao fundo, era hora de ir ver algo nunca visto, e que melhor e mais indicado do que um bar na grande maioria construído em gelo.
Apesar de não ser uma das melhores coisas para proteger o planeta do aquecimento global, já que imagino que para manter os blocos de gelo intatos, serão necessários uns belos Mw de energia, a experiência foi única.Nunca antes tínhamos bebido  algo em copos de gelo, estado entre paredes, balcões e bancos de gelo.



Como seria de esperar apesar do cansaço não resistimos a uma proposta de umas finlandesas e lá fomos a um clube zona de Sodermalm. Muita dança e muita cantoria à mistura, como seria de esperar lá ficamos até nos mandarem embora.
(Neste momento pensamos ser os portugueses que mais músicas em Turco e do Besitkas sabemos. Põe-te a pau Joana, que chego a Portugal a saber mais de Turco que tu e a parecer que também estive a fazer Erasmus por aí, Tamam??!!)


3ºDia
Último Dia, aproveitamos para fazer mais uma dezena de quilómetros e ir à zona mais glamourosa da cidade onde o contraste de grandes vivendas, floresta e fiorde, têm um encanto especial Djurgarden.



Mais ou menos perdidos, lá demos com um mercado, onde descobrímos uma sueca que viveu no nosso país irmão durante um ano, e que nos deu a provar alguns dos melhores queijos que comi até hoje.
De volta ao centro da cidade fomos receber a nossa amiga Russa que se lembrou de gastar uns belos euros para passar apenas algumas horas na cidade.
Como o cansaço era muito e as pernas já não aguentavam comigo estava a chegar o fim de mais uma bela jornada.

No fim à que dizer:
Hej då Stockolm e até um dia destes, pois voltarei no Verão num dos próximos anos com certeza.

E só em geito de despedida deixo aqui uma expressão que ficou na memória, isto porque que o rececionista do hostel onde dormimos respondia a todas as nossas perguntas com um:
NO WORRIES!!
NO WORRIES!!

18/11/10

Quem disse que não se comia bacalhau em Flensburg?


Quem disse que não se 
comia bacalhau em Flensburg?!
Pois é... 

Só temos a dizer obrigada à nossa amiga Brasileira, Rute e à sua amiga Mareike
que nos proporcianaram um belo de um jantar :)




Estas nossas amigas fazem parte de uma Associção, Weltburger Cidadãos Do Mundo, que tem como principal objetivo a ajuda a estudantes estrangeiros que cheguem a Flensburg.


Desde já o nosso muito obrigado, danke, pela noite proporcianada :)

E agora é voar para Estocolmo!


Daremos todas as novidades em Breve
Tshus

13/11/10

Porque estar na Alemanha não é só Festa e Viagens

Esta semana decidi escrever sobre o que vamos andar por aqui a fazer a nível académico.
Para todos aqueles que já começavam a imaginar que a nossa vida ía ser só diversão, fiquem enganados.
Em princípio vamos fazer ao todo 6 cadeiras.
A primeira é a da nossa querida Língua Alemã.
Depois estamos inscritos em Green Engeneering, Shapping Sustainable Energy Systems, Biofuel and Combustion Engines, Sustainable Energy Planning in Rural Areas e Minigrids and Hybrid Systems (esta última não temos a certeza se vamos ou não fazer).

Neste momento estamos a trabalhar em dois projetos para cada um dos cursos, Green Engeneering e Shapping Sustainable.
O primeiro tem por objetivo projetar alterações no Campus aqui em Flensburg de forma a torná-lo mais sustentável a todos os níveis, nomeadamente, energéticos, resíduos e águas (nós estamos mais na parte de eficiência energética).
O segundo consiste em projetar uma América do Sul sustentável ao nível de produção energética em 2050, com meta de 100% renováveis.
Estamos integrados num grupo de trabalho alemão e o outro um pouco mais internacional.

Estamos confiantes de que vão ser dois projetos capazes de nos enriquecer muito a nível pessoal, e quem sabe deixar as sementes para o que poderá vir a ser uma futura tese.

Não esquecer que no próximo fim de semana vamos andar por Estocolmo portanto já sabem onde nos podem encontrar.

Tshus e danke a todos os que têm acompanhado e elogiado o blogue.

08/11/10

Ich bin ein Berliner

Dia 1
Mais um fim de semana mais uma viagem.
E que sítio melhor para viajar do que Berlim, a cidade que considero ser a capital da Europa, e que tem toda uma história que demonstra quantos muros se tiveram de derrubar para chegar ao espírito de uma União Europeia!



Com comboio marcado para bem cedo, lá partimos nós rumo à cidade onde tudo é possível.
Com todo o conforto que os comboios alemãs nos podem oferecer, chegamos ao início da tarde, tendo servido a viagem para saber algumas coisas da cidade, jogar umas cartas e petiscar umas coisas.

Tratado o check in no hostel, lá fomos nós à primeira investida sobre Berlim, mais concretamente à grande Torre Fernsehturm (365 m), construída na década de 60, de forma a mostrar o poderio do Leste em relação ao Oeste de Berlim, ou seja do Comunismo face ao Capitalismo.
Apesar da chuva houve oportunidade para um primeiro passeio, pela zona da ilha dos Museus (onde estão concentrado alguns dos museus mais importantes da cidade incluindo a catedral de Berlim).

Quanto à noite, foi de arromba, como é de esperar numa cidade como Berlim. Como a cidade é enorme e o conhecimento dos bares não era muito grande, decidimos optar por fazer um Tour alternativo, onde nos levaram a alguns dos bares mais estranhos por onde passei até hoje.
Por exemplo um bar gótico, onde o interior mais se assemelhava a uma catedral, cheia de pessoas com pretensões a serem Vampiros ou Diabos bebendo algo semelhante a sangue :). Outro bar, marcava a diferença, por ter no interior uma mesa de Ping-Pong, onde a galera jogava à Roda.

E para terminar o dia da melhor forma nada melhor que um club numa zona de antigas fábricas, para bater um pezinho de dança.

Dia 2
A muito custo lá se levantou tudo, após uma curta noite de sono, para desfrutar de mais um dia em Berlim.
O Ponto de partida foi Branderburger Tor, a porta de entrada de Berlim, e principal símbolo de uma Alemanha reunificada.
Aqui tínhamos à espera um jovem guia, que se revelou fantástico, a forma como ele falava de Berlim e de toda a sua história foi brilhante, demonstrando o quanto ele adorava a cidade.

Explicados alguns dos detalhes da história da Alemanha, de Berlim e desta área da cidade, seguimos caminho até a um dos momentos mais estranhos mas ao mesmo tempo mais emocionantes da atual Berlim, o Memorial ao Holocausto, composto por milhares de blocos de cimento. Tal como o guia nos disse, não há explicação para a forma do monumento, sendo que o objetivo é fazer as pessoas, chegar às suas próprias conclusões, daquilo que ele representa.

Continuando a visita passamos por alguns dos sítios mais famosos, tanto do regime fascista, como do período da Berlim dividida, Buncker onde Hitler morreu (atualmente um parque de estacionamento :)), edifícios administrativos, Check Point, Universidade, Catedrais,partes do Muro e alguns Museus.

Para finalizar esta visita guiada foi-nos contada de uma forma excecional a forma de como se deu a queda do Muro e dos passos políticos dados até se dar o dia 4 de Outubro de 1989.

Apesar do cansaço,o dia não podia terminar cedo. Próxima estação seria o East Side Galerie (maior troço do Muro de Berlim ainda de pé), onde estão pintados alguns memoriais relativos a Berlim e à sua história.

Com um dia tão cansativo, nada melhor para restaurar energias, que um belo jantar num típico restaurante alemã, com a bela da cerveja e prato alemães.
Desta vez fiquei-me por um bife, que pelo que me pareceu se assemelhava a fiambre, que caiu que nem ginjas.

Dia 3
Como a noite anterior tinha sido puxada e ainda restavam muitos sítios para ver ou voltar a ver, nada melhor que uma incursão sozinha por Berlim à noite. Momento para pensar em todas as lições que a história desta cidade nos pode ensinar, e que apesar de muitos muros aparecerem durante a nossa vida, é possível derrubá-los.



Último dia em Berlim, foi um pouco mais leve, ficando-me por uma visita ao Reichstag, Parlamento Alemão e antigo palácio do Imperador da antiga Prússia e da Alemanha.

Com muita história e mais uma série de aventuras na bagagem, lá se partiu ao ponto de partida, mas com a promessa de voltar e tentar da próxima vez não ser tanto um turista mas mais um Berliner :), e encontrar claro está o Xaral Pedro Moura e o Sr. Hugo Estrela.

Lúcia em Flensburg



Semana de sorte para o meu amigo Rúben.
A sua namorada Lúcia, veio visitá-lo e claro está, Rúben mais Lúcia mais Ricardo é sinónimo de muita risada.

Apesar de não ter estado muito tempo no meio do casal, deu para ver ver que o amor continua no ar, e que veio para ficar.
Esperamos voltar a ver-te Lúcia!!

01/11/10

Ferienhaus Party und surfen

Tal como esperava o último fim de semana de Outubro foi qualquer coisa de formidável e de surpreendente.
Se alguém me dissesse em Portugal antes de vir para a Alemanha, que iria ter oportunidade de aprender kitesurf e surfar eu não acreditaria.
Pois é, esse foi o objetivo deste fim de semana, além de conhecer mais uma série de pessoal (só apanho pessoal que apesar da tenra idade já têm muito para contar),
Pranchas a bordo, comida e bebida e lá partimos nós, mais uma vez rumo à Dinamarca, mais especificamente Hvide Sande.


Exibir mapa ampliado

Esta zona da Dinamarca tem a particularidade de ter a pouca distância, mar e fiorde (Ringkjøbing Fjorde). Não é por acaso que uma das maiores empresas de eólicas, Vestas vem desta parte do nosso Mundo, aqui o vento parece nunca acabar. É ver a quantidade de turbinas que por esta zona rodam e rodam sem nunca mais parar.


Tal como me tinha sido dito pelo organizador da viagem, Paul Girolstein, a quem tenho de dar um enorme Danke pelo convite, estaríamos durante estes dias numa típica casa de férias, com sauna, jacuzzi numa zona bem calma, pontinha para nós tirarmos o seu sossego.


O diálogo tal como já esperava foi o ponto mais difícil, pois entre os 12 alemãs que foram (e eu claro) o alemão era a língua mãe. Sendo assim deparei-me muita vez a passar completamente ao lado das conversas que eles mantinham só interrompidas por um "can you translate me please".


Passado o dia de chegada, onde se deu primazia ao diálogo e descanso, lá fomos nós para um primeiro dia de kitesurf, onde eu não tive logo coragem de participar (isto de não ter trazido material de Portugal ficou-me atravessado na garganta) pois isto de a água estar a uns 5-10 ºC não é flor que se cheire para um português. 
Deu para ver que o pessoal que foi comigo domina a situação, e para eles andar em cima de água com um papagaio :) , é como para mim dobrar malhas.


Chegados a casa, nada melhor que uma bela de uma sauna para tirar o frio do corpo, claro está com um bela de uma cerveja a acompanhar. Já deu para ver que um dos sucessos para estes países é a capacidade de aguentar os choques térmicos. Nunca iria imaginar, que o saudável a seguir a uma sauna de 80ºC, seria o belo do frio exterior, capaz de estar a uns bons 0-5ºC. Penso que a minha mãe não acharia muita graça a tal coisa, mas a verdade é que parece que resulta.


3º Dia lá vinha a minha prenda, ou seja uma aula de kitesurf dada pelo Paul no fiorde. Condições ótimas para a aprendizagem, aliadas a um bom professor (a parte do bom aluno só o professor poderá dizer), permitiram-me finalmente ter uma ideia de como praticar este fantástico desporto (à 4 anos atrás na caparica tal não foi possível devido ao fraco vento). Foi uma experiência brutal, que deixou o bichinho cá dentro.


Apesar de o frio me ter tentado vencer durante este dia, ainda consegui ir ao mar tentar dar uma surfada.
E para concluir este dia nada melhor que sauna, bebida e convívio com esta malta alemã como poderão ver nos seguintes vídeos:

Oração em Alemão antes de jordar a trilha

Pôr os covanos da terrujem das babosas a piarem que o jardim do Camões era uma terrujem cópia pra diante revelou-se difícil. (Parece que eles sabem bem a crise que atravessamos)

Foi um fim de semana inesquecível que acabou com a promessa de quando eles passarem por Portugal, terem estadia garantida no Ninhou!!